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Mulheres de Cinzas

Ler Mia Couto é entrar em contato com a magia das palavras, é ficar encantado com cada metáfora dita, é se vislumbrar com a vida que vai nascendo até do ventre daquele que nem vida tem.Este é o primeiro romance da trilogia “As areias do imperador”. Aqui, a guerra de Moçambique que ocorreu no fim do século XIX é contada por duas pessoas, uma jovem africana e um sargento português que relatam seus sentimentos e entendimentos do acontecido, baseado em seus próprios conteúdos internos e de suas culturas.Falando da guerra de Moçambique, Mia Couto esbarra em tantas outras guerras, a guerra interior de cada ser, a guerra cultural, a guerra da espiritualidade, a guerra pela sobrevivência. O que todas têm em comum são os pontos de interrogações que buscam respostas: para que serve a guerra? A quem interessa? Ao que leva? Porque existe?
Este livro é extremamente encantador para quem se disponibiliza a entender como cada cultura busca organizar sua existência, mostra com doçura nossa pequenez e grandiosidade perante a vida.Leva à grande explicação de como a natureza é divina, na África existe sempre uma explicação mística e mágica para tudo, associada aos ensinamentos dessa natureza, nada é descartado, tudo tem história, tudo é história. Em Portugal perdeu-se esse contato com a natureza, lá não se ouve o andar dos rios, os sinais dos ventos, perdeu-se o contato com o que realmente se é, parte dessa natureza.E, assim a leitura prossegue, nos mostrando o quão distantes as diferenças culturais nos colocam uns dos outros e, ao conhecê-las o quão perto podemos nos tornar, a sensação que fica é a sensação que  não existe o singular, somos plural, não existe um, somos todos.
Corre lá e leia também!
Comentando postado em 22/02/2016
Autor: Mia Couto
Categoria: Adulto
Editora Companhia das Letras
Publicação: 06/01/2015
1ª Edição
Fonte: Link: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mia_Couto

post de: Nan Lourenço

AUTORIA DO LIVRO

Mia Couto



Mia Coutopseudônimo porque tinha uma paixão por gatos e porque o seu irmão não sabia pronunciar o nome dele. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal "Notícias da Beira" e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Moçambique, Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações em setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985. Em 1983, publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que, segundo algumas interpretações, inclui poemas contra a propaganda marxista militante. Dois anos depois, demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.


Além de considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prêmio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. A 25 de Novembro de 1998 foi feito Comendador da Ordem Militar de Santiago da Espada. Em 2007, foi entrevistado pela revista Isto É. Foi fundador de uma empresa de estudos ambientais da qual é colaborador.
Em 2013 foi homenageado com o Prêmio Camões, que lhe foi entregue a 10 de Junho no Palácio de Queluz pelas mãos do presidente de Portugal Cavaco Silva e da presidente do Brasil, Dilma Rousseff.


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