COMENTANDO:
O 11º mandamento

Este é um daqueles livros tão bem escritos que envolvem os leitores a tal ponto, fazendo com que estes sigam o ritmo dos personagens na leitura. Muito interessante como me vi tendo pressa na leitura quando os personagens tinham pressa no que faziam e, calma na leitura quando o momento era de calmaria.
É um romance épico que se desenrola na Índia, Etiópia e nos Estados Unidos, contando a história de gerações.
Quem narra à história é Marion, irmão gêmeo de Shiva, que vai construindo sua história ao reconstruir a história de sua mãe, Mary Joseph Praise, uma linda freira indiana, que deixa a Índia para fazer trabalho solidário na Etiópia, e de seu pai Thomas Stone, um cirurgião inglês, que se conhecem a bordo do navio que os levará a Etiópia.
Chegando à Etiópia, trabalham juntos no "Hospital da Missing" por sete anos, ela como enfermeira e ele como médico cirurgião.
Mary morre no parto de seus filhos gêmeos Marion e Shiva, parto este realizado por Thomas que, não suportando o desfecho, desaparece deixando os gêmeos aos cuidados de Hema e Ghosh, médicos indianos que trabalhavam com eles no mesmo hospital.
Os gêmeos são apresentados para a medicina desde pequenos e desenvolvem verdadeira paixão por ela.
No desenrolar da história, vamos observando como as relações humanas vão se estabelecendo, Marion e Shiva são inseparáveis na infância, fazendo Marion acreditar que são uma mesma pessoa mas, com o amadurecimento de ambos, as diferenças vão se instalando, Marion é mais emotivo enquanto Shiva é mais racional e, assim começa a se incutir um certo distanciamento entre os dois e a competição se intensifica. Mas, o que realmente leva ao rompimento entre os dois é o amor que Marion tem pela filha da governanta, Genet, pois Shiva dorme com ela e Marion sente a traição e, não o perdoa.
Marion se vê traído por Genet mais uma vez, quando ela o envolve em uma revolução na Etiópia, fazendo com que o mesmo tenha que sair do país exilado rumo aos Estados Unidos, onde consegue trabalho como residente em um Hospital do Bronx. É ali que reencontra o pai e caminha para uma possível reconciliação com ele.
Mas, é quando acontece algo grave e inesperado na vida de Marion que ocorre a verdadeira reconciliação entre ele, seu irmão e seu pai pois, são estes os que o ajudam na luta pela vida.
Este romance vai nos mostrando o choque cultural entre nações diferentes, a medicina sendo tratada com grande paixão e a necessidade de nos distanciarmos de nosso ego para entendermos as relações humanas.
Marion soube fazer isso muito bem. Usando a lente da medicina soube enxergar a diferença entre a Índia e os Estados Unidos, onde as pessoas são definidas por seus destinos, classificados por suas funções, se perdendo assim, o contexto do humano completo, porque todos são partes de um superorganismo. Percebe, inclusive, a diferença cultural em relação à medicina. Na Índia se interpreta uma doença grave como um caminho possível para a morte, nos Estados Unidos a gravidade da doença é vista com incompreensão, como se a morte não pudesse se fazer presente.
Faz excelente uso da medicina pois, isso o preenche e faz com que o desejo de produzir cada vez mais o impulsione para o viver. O que é se torna uma grande ajuda para diluir suas angústias, aquelas inerentes ao ser humano, assim ajuda a humanidade com seus conhecimentos, alivia a dor física do outro e a dor na própria alma.
Quando para de olhar para si e começa a perceber o funcionamento estrutural das pessoas, Marion para de sofrer com seu narcisismo pois, até então, acreditava que o que o outro fazia era para ferí-lo. Percebe seu engano. O que o outro faz é o que pode fazer no momento, isso lhe proporciona a possibilidade de aceitar ou não o que lhe oferecem, sem dor.
Enfim, o livro nos conta que a vida nos dá muitos sinais, o segredo está em saber decifrá-los.
Digo que assim se construiu esse livro, com grandes sinais de amadurecimento de cada ser humano e a grandeza que isso pode representar em nossa jornada.
Comentando postado em 28/09/2015
Autor: Abraham Verghese
Categoria: Adulto
Editora Cia das Letras
Publicação: 10/04/2011
1ª Edição
Fonte: Link:

post de: Nan Lourenço

AUTORIA DO LIVRO

Abraham Verghese




Abraham Verghese, nascido em 1955 na Etiópia, é um autor médico, Professor de Teoria e Prática da Medicina na Stanford University Medical School e Presidente Associado Sênior do Departamento de Medicina Interna.  Ele também é o autor de três livros, dois livros de memórias e um romance, combina uma carreira como médico, professor e autor.Seu trabalho como médico informa sua escrita e a reflexão que vem através de sua escrita o ajuda a criar empatia com seus pacientes, e para vê-los individualmente, como seres humanos que estão sofrendo, com medo e na necessidade não só de tratamento, mas de conforto e segurança. Imaginando a experiência dos seus pacientes tem impulsionado o seu trabalho ao longo de sua carreira médica. Sua ênfase na empatia e na cura é o foco de suas conversas, nacional e internacionalmente, como ele sublinha a importância da relação médico-paciente em uma época de avanços na tecnologia médica que muitas vezes tendem a despersonalizar os cuidados médicos."Eu ainda acho", diz ele, "a melhor maneira de entender um paciente internado não é por olhando para uma tela de computador, mas vai ver que paciente. Pois é na cabeceira que eu possa descobrir o que é importante para o paciente e como os dados que você acumulou faz sentido. "


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