COMENTANDO:
O arroz de Palma


Livro extremamente saboroso este, onde um velho, sim, velho, pois o mesmo dispensa o eufemismo "idoso", que se encontra com 88 anos de idade, idade mais que interessante pois são dois infinitos em pé, revive sua história enquanto cozinha para sua família que ali está e que ali chegará para, juntos, comemorarem os 100 anos de casamento de seus pais, 100 anos do arroz de Palma, este, presente recebido com a mais singela dedicatória: "Este arroz - plantado na terra, caído do céu como o maná do deserto e colhido da pedra - é símbolo de fertilidade e eterno amor. Esta é minha benção."
Antonio é o seu nome, que entre muitos é avô, Avô Eterno, o que não teve começo, nem terá fim, o que já veio a esse mundo de cara enrugada, aquele que é uma criança de folego diferente, aquele que faz tão bem a correlação entre fazer comida e fazer família, correlação essa saborosa, cheia de poesia e trabalho, afinal, família é um prato delicadíssimo, difícil de preparar e, sempre feito a moda da casa.
Em seus devaneios, Antonio vai transitando entre seu passado, presente e futuro, entendendo assim a lógica da terriníssima trindade, onde se percebe três (passado, presente e futuro) em um apenas. Assim, se permite se reconstruir e se reencontrar com sua essência, ao mesmo tempo em que vai contando toda a saga dessa família de imigrantes portugueses cheios de sonhos num novo lugar.
Teve a sorte de conviver com sua tia Palma, que acreditava que os melhores sentimentos despertados nas pessoas não advêm de truques ou passes de mágicas e, sim de imensas doses de amor e tenacidade. Tia essa, dona de um amor cheio de sabedoria, possuidora da habilidade de transformar fel em mel, amargor em doçura.
Esse é aquele livro que se lê devagar, apreciando cada palavra, respirando devagar em cada vírgula ou ponto, para se certificar que tudo está sendo guardado num lugar seguro dentro de nós, é aquele livro que se deve degustar como um manjar dos Deuses. Ele fala com nossos sentidos, gentilmente, assim como deve ter sido "caminhar com seu cão de olhares dados".
Acredito que envelhecer seja isso, ir fazendo as pazes com nosso passado, presente e futuro (por que não?), é ir percebendo que a vida pode ser lúdica, assim como era quando criança fomos e,  ir recuperando o que realmente importa dentro de todos afazeres do dia a dia, para quando prontos estivermos para partir, o façamos com dignidade, sabedoria, gratidão e com a grande descoberta de saber que família somos todos.
E, digo, para você que gosta de saborear o saudável, eis O arroz de Palma para lambuzar-se.

AINDA SOBRE A LEITURA DO "O ARROZ DE PALMA" E SUA CONTINUIDADE:
Olá,
Não podia não compartilhar com vocês que estão me acompanhando desde o início nesse meu novo projeto, para mim, valioso. Escrevi ao Francisco Azevedo, contando sobre minha admiração, por ele e por sua escrita e, eis sua resposta:
"Querida Nanci, peço-lhe que me perdoe a demora em lhe dar retorno. Foi indelicadeza involuntária, acredite. É que recebo várias mensagens também pelo meu site e tinha quase certeza de que já lhe havia respondido por lá. Visitei o seu blog e li a bela resenha que você escreveu sobre o nosso "Arroz". Muito obrigado pelo carinho e pela divulgação. Para mim, não há prêmio maior que essas manifestações de afeto que recebo dos meus leitores. Desejo a você, e aos seus, todas as bênçãos e felicidades! Abraço muito afetuoso e agradecido do Francisco Azevedo"
Honrada fiquei, grata fiquei...Obrigada!!!Nanci
Comentando postado em 13/07/2015

Autor: Francisco Azevedo
Categoria: Adulto
Editora Record
Publicação: 09/01/2008
Fonte: Link:

post de: Nan Lourenço

AUTORIA DO LIVRO

Francisco Azevedo


Francisco Azevedo, Francisco José Alonso Vellozo Azevedo nasceu no Rio de Janeiro, em 1951. É dramaturgo, roteirista, poeta, romancista, ex-diplomata. Suas peças Unha e carne e A casa de Anais foram sucesso de público e crítica, produzidas no Brasil e no exterior. Começou a se dedicar à literatura em 1967, quando venceu concurso promovido pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Seu primeiro romance, O arroz de Palma, encantou dezenas de milhares de leitores brasileiros, que se tornaram seus ardorosos divulgadores. Seu segundo romance, Doce Gabito, voltou a apaixonar seus leitores, reiterando sua carreira literária. O autor está agora mergulhado na escrita de seu terceiro romance, Os Novos Moradores.

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