COMENTANDO:
OS OLHOS AMARELOS DOS CROCODILOS

Muito interessante este livro, tão rico em relações humanas, nas relações familiares, na percepção de ser-se, nas ilusões construídas como verdades absolutas.
Este livro conta a história de duas irmãs, Joséphine e Íris que carregam grandes diferenças entre si. A primeira é historiadora, leva uma vida modesta no subúrbio de Paris, é a que ocupou o lugar em sua família do patinho feio, aquela que nada atrai, principalmente, para sua mãe; a segunda é uma socialite, casada com um milionário, vive em Paris sempre pensando no que o dinheiro pode lhe proporcionar, sempre foi a preferida da mãe, era a que brilhava por excelência.
No momento as duas estão vivendo o desmoronamento de seus casamentos, parece que tudo aquilo que um dia os atraiu, será o que os separará.
Joséphine de fato se separa de Antoine, ela para continuar viva e, ele para vir a viver. É aquela separação conjugal onde o homem mergulha de cabeça num lago raso de ilusão e, quando de lá consegue sair está no mínimo paraplégico. Já a mulher que sempre esteve de mãos dadas com a realidade, se mantém lúcida, se faz forte e vai à luta com unhas e dentes para continuar alimentando suas filhas, tanto física como emocionalmente.
Para Antonie, a ilusão samba em sua frente com tamanho brilho que lhe ofusca a visão, para Joséphine a vida volta para suas mãos, a ilusão ali não faz morada, mergulha em suas angústias e reescreve sua jornada em cima de alicerces concretos e, a vida, vai lhe presenteando com a segurança para prosseguir.
Já Antonie não tem a mesma sorte, como não se permite entrar em contato com suas angústias, constrói o possível em cima de areia movediça, sempre sendo observado e observando os olhos amarelos dos crocodilos que não o deixa esquecer quem é e, assim, não percebe que a vida tem o poder de cobrar daquele que não a leva a sério, que não a respeita com responsabilidade, deixando-o cada vez mais vazio à mercê da falta fatal.
Íris constrói toda sua vida em cima de mentiras que, no presente momento, já não cabe mais para sustentar um casamento que para ela era eterno, uma vez que seu marido sempre foi apaixonado por tudo o que ela fingia ser. Mas, ela não sabe ser diferente do que é e, faz a tentativa de reencantar seu marido mas, peca novamente com a mentira.
Assim, num momento de desespero na vida das duas irmãs, fazem um pacto que a princípio acreditam ser a tábua de salvação para as duas. Joséphine escreverá um livro e ficará com todo dinheiro que dele virá e Íris assumirá a autoria e levará consigo toda a glória.
Caíram na armadilha da constelação familiar, aquela que determina o que cada um deve ser, aquela que determina a marca de cada um. Acreditando que é isso o que ainda lhes cabem, caem na armadilha do gozo paralisante; galgando caminhar para a solução do desespero, se paralisam na impossibilidade de fazer diferente. Este, para mim, é o maior pecado que cometem contra si mesmas, mesmo sabendo que não é eticamente correto o que fazem na ação do contexto.
Vai ficando claro no decorrer da leitura do livro, que não se deve envolver-se com o que não é a sua verdade e, quem tem coragem para ir atrás dela, aquele que tem coragem de pegar sua vida nas próprias mãos, está mais próximo de passar pela existência humana com menos arranhões.Dizendo assim, parece muito simples alcançar isso, mas, te garanto, não é. Para conseguir chegar nessa escolha, um longo caminho deve ser percorrido. Acredito que uma boa análise é um instrumento facilitador para esse alcance.
Isso é o que vou encontrando neste livro, o funcionamento psicológico de cada personagem escancarado em cada página, o drama familiar e individual da saga humana, o equívoco que todos cometem ao acreditar que o Outro não nos faz só, que esse Outro nos cura das mazelas da vida. E, digo, o Outro não existe, somos apenas nós com nós mesmos.
Comentando postado em 07/09/2015
Autor: Katherine Pancol
Categoria: Adulto
Editora Objetiva
Publicação: 2012
Tradução: Eliana Aguiar
1ª Edição
Fonte: Link:

post de: Nan Lourenço

AUTORIA DO LIVRO

Katherine Pancol




Katherine Pancol nascida em 22 de outubro de 1954 em Casablanca, Marrocos, se mudou para França aos cinco anos de idade, é uma jornalista e escritora de best-seller francês. Seus livros foram traduzidos em cerca de 30 idiomas e vendeu milhões de cópias em todo o mundo. Nos Estados Unidos, ela é conhecida como o autor de Os Olhos Amarelos dos Crocodilos. Sua sequência, A Valsa lenta das Tartarugas, será lançada em 2016.Pancol é admirada por seus insights sobre a psicologia humana, em particular as mulheres, e seu senso de detalhe é muitas vezes sombreado com humor irônico. Suas obras tendem a ter um tema edificante enquanto divertido. Um de seus objetivos é o de inspirar as mulheres a se atreverem a serem elas mesmas, mantendo uma relação positiva com a própria vida. Publicado em 2006, Os Olhos Amarelos dos Crocodilos foi um enorme sucesso na França, onde vendeu mais de um milhão de cópias e recebeu o "Prémio de Maison de la Presse, 2006" a maior distribuição na França, foi o sexto livro mais vendido na França em 2008. O segundo livro da trilogia, A Valsa lenta das Tartarugas, está sendo traduzido por William Rodarmor e será publicado em 2016.

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