COMENTANDO:
Se eu pudesse viver minha vida novamente ...

A vida é feita de momentos. Para que sejam bons devem ser vividos da forma mais descomplicada, simples, sem danos imaginários, sem se levar tudo a sério, tomando “mais sorvete e menos lentilha”. É assim que se desenrola o poema “Instintos” de autoria discutível - atribuído tanto a Jorge Luis Borges (argentino) como a Nadine Stair ou a Don Herold (ambos americanos), de onde surge a inspiração para o presente livro.   

            Aos setenta anos de idade, Rubem Alves relembra a primeira vez que leu este poema, uma mistura de tristeza e sabedoria, que lhe deixou “comovido”. 

Refletindo sobre o tema conclui que se pudesse viver sua vida novamente, não faria nada diferente.
              Eu quereria vivê-la do jeito mesmo que a vivi, com seus desenganos, fracassos e equívocos. Doidice? Imaginem que eu estivesse infeliz. Eu teria então todas as razões para voltar atrás e tentar consertar os lugares que errei” (p. 12 do livro).           A releitura deste livro, com as páginas amareladas e desgastadas pelo manuseio quase que contínuo (é um dos livros que vire e mexe está em minha cabeceira), me fez relembrar o que li em um livro, dizia mais ao menos assim: todo escritor, em determinada fase de sua vida, resolve escrever sobre a escrita e sobre suas memórias. E é exatamente disto que se trata o presente livro. 

            Revisitando várias fases de sua vida e lembranças de autores lidos (“eu mesmo sou o que sou pelos escritores que devorei” (p. 17 do livro)vai traçando as linhas marcadas em sua memória, os sentimentos, as emoções, os percalços que fizeram ser Quem É.

A infância pobre e feliz. Os planos planejados e não concretizados. As escolhas vindas do acaso, do inesperado. Os escritores, nacionais ou estrangeiros, conhecidos ou não, que lhe possibilitaram seguir pelo caminho não planejado. A busca do homem pela segurança e proteção dos perigos. A inspiração de uma criança, sua filha. As tradições tão diferentes das nossas. São estes alguns temas abordados no livro, que nos ensina: é preciso dizer o essencial. 

            É, vivemos a vida planejando o dia de amanhã ou pensando o passado. O agora sempre fica de escanteio, talvez por medo da morte, vivemos sem nos lembrar de que não somos imortais. 

Certo ser importante a revisitação do passado e “criação de um futuro”, mas nunca podemos nos esquecer, da importância de se viver o presente da melhor forma possível.Comentando postado em 25/10/2015
Autor: Rubem Alves
Categoria: Adulto
Editora Verus
Publicação: 10/01/2004
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Fonte: Link:

post de: Tânia Mara Lourenço Vesentini

AUTORIA DO LIVRO

Rubem Alves



 

O que dizer de Rubem Alves? Pedagogo, educador, psicanalista, teólogo, poeta, cronista do cotidiano, contador de histórias, ensaísta, filósofo de todas as horas, nascido no dia 15 de setembro de 1933 em Minas Gerais, falecido ano passado (2014), deixa saudades e um legado imensurável no entendimento do sujeito.

Sua biografia, escrita por Gonçalo Junior “É uma pena não viver” foi lançada no dia 28 de julho do presente ano, quase um ano após sua morte.Das inúmeras obras do autor, recomendo a leitura: “Concerto para corpo e alma” – editora Papirus; “A menina, a gaiola e a bicicleta” – editora Cia das Letrinhas, “A alegria de ensinar” – editora Ars Poética.  


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