COMENTANDO:
Um defeito de cor

Você consegue se imaginar sendo retirado de sua casa, de perto de quem ama, dos seus costumes, suas crenças, ser amarrado ferozmente e perder sua vida?...Eu não, nem ELES.

Você consegue se imaginar sendo transportado por meses num porão de um navio, sem ventilação, sem água, sem comida, sendo misturado às suas próprias fezes e urinas e também as dos outros que contigo estão?...Eu não, nem ELES.

Você consegue imaginar estar deitado ao lado da morte que destrói sonhos e apodrece quem você ama?...Eu não, nem ELES.

E assim, Ana Maria Gonçalves vai nos contando como a escravidão chegou ao Brasil, como a maldade exacerbada manchou essa terra e seu povo, como muitos escravizados chegam ao Brasil para construir uma nova história, onde a desumanização comanda a ganância financeira, onde o dinheiro dita ordens destruindo almas.

Apesar do horror, Kehinde consegue mostrar sua cultura, suas crenças e seus sonhos, consigo sentir a alegria quando exaltam seus Deuses, quando cantam seus hinos, quando trazem para perto de si seus entes queridos há tanto desaparecidos, mas sinto também toda a tristeza diante das humilhações que sofrem sem poderem reagir, nem mesmo mostrar o mínimo sentimento. Fascinante e angustiante essa vida.

A impressão que fica é que o medo os acompanha o tempo todo, qualquer branco pode maltrata-los como bem entender com arrogância e com toda a superioridade que acreditam possuir. E mesmo assim é admirável a coragem de muitos que não se intimidam pela vida, não reconhecem esse outro superior, não se abalam com as dificuldades presentes ininterruptamente vinte e quatro horas por dia todos os dias.

Assim é Kehinde, a contadora da história, forte e gigante, aquela que não se conformou com a sua condição e a de todos os negros, mantendo assim vivo os seus sonhos, vivendo cheia de esperança, com uma força humana capaz de mudar seu destino e de muitos outros.

Mas, confesso que após ler setecentas e muitas páginas me decepcionei com quem tanto admirava, me entristeço ao ver que Kehinde também teve seu preço estabelecido, também lucrou com a dor de outros, foi vencida pelo sistema. Será mesmo que todos temos um preço? Será que toda vida possui partes escritas com gotas de sangue?

Mas, como nos ensina Kehinde, na vida não há tempo para lamúrias, a cada amanhecer encontramos um novo campo de batalha e, assim, continuei a leitura chegando à página 947 adorando cada palavra lida.

É um livro tão intenso de histórias reais e fictícias que você deveria ler com urgência.

Autor: Ana Maria Gonçalves
Categoria: Adulto
Editora Record
Publicação:
20ª edição
Fonte: Link: https://www.goodreads.com/author/show/2848159.Ana_Maria_Gon_alves

post de: Nan Lourenço

AUTORIA DO LIVRO

Ana Maria Gonçalves



Ana Maria Gonçalves nasceu em 1970, na cidade Ibiá-MG. Publicitária por formação, residiu em São Paulo por treze anos até se cansar do ritmo intenso da cidade e da profissão. Em viagem à Bahia, encantou-se com a Ilha de Itaparica, onde fixou residência por cinco anos e descobriu sua veia de ficcionista, passando a se dedicar integralmente à literatura. Atualmente, reside em New Orleans, no estado americano da Louisiana.


Fonte:   https://www.goodreads.com/author/show/2848159.Ana_Maria_Gon_alves

Imagem da capa: Amazon

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